Enviado em

Argentina Não Poderá Aposentar Camisa 10 Após Adeus de Messi

Lionel Messi encerrou sua trajetória com a seleção argentina na última terça-feira, fechando um ciclo de título e recordes que o consagrou como um dos maiores nomes da história do futebol do país. Mas o adeus do craque não significa o fim da camisa 10 nos jogos da Argentina: uma regra da Fifa impede que a seleção aposente o número em sua homenagem, como muitos torcedores gostariam.

O que diz a regra da Fifa

O regulamento da entidade determina que as seleções distribuam numeração completa entre os jogadores inscritos em cada torneio, seguindo critérios específicos de cada competição. Na Copa do Mundo de 2026, por exemplo, as equipes puderam inscrever até 26 atletas, numerados de 1 a 26 sem lacunas. Isso significa que, em competições oficiais organizadas pela Fifa, a Argentina é obrigada a atribuir a camisa 10 a algum jogador do elenco, independentemente do simbolismo que o número carrega após a era Messi.

A norma não impede, porém, que a seleção opte por não utilizar a numeração 10 em partidas amistosas, que não seguem as mesmas exigências de inscrição da Fifa. Nesses jogos, a AFA tem liberdade para gerir a numeração como preferir, desde que respeite as regras específicas de cada confronto.

Um dilema que já envolveu Maradona

A tentativa de aposentar a camisa 10 não é novidade para o futebol argentino. Antes da Copa do Mundo de 2002, a Associação do Futebol Argentino chegou a cogitar reservar o número em homenagem a Diego Maradona, ídolo que também imortalizou a camisa em quatro Mundiais. A iniciativa, no entanto, esbarrou nas mesmas normas da Fifa e acabou arquivada. Agora, mais de duas décadas depois, a entidade argentina se vê diante do mesmo impasse, desta vez em relação ao legado de Messi.

O legado de Messi com a camisa 10

Messi assumiu a camisa 10 da Argentina em 2009, suprindo um vazio deixado após a saída de outros capitães, e transformou o número em um dos símbolos mais reconhecíveis do futebol mundial. Sob essa numeração, conquistou a Copa América de 2021, a Finalíssima de 2022 e, finalmente, a Copa do Mundo do Catar, título que faltava em sua coleção. O craque somou ainda mais uma Copa América em 2024 e foi peça-chave na campanha da Argentina até o vice-campeonato da Copa de 2026, fechando o ciclo com a seleção em alto nível competitivo.

Mesmo sem poder ser oficialmente aposentada, a camisa 10 argentina carrega agora um peso histórico duplo: a herança de Maradona e o legado consolidado por Messi. Caberá ao próximo jogador que vestir o número conviver com essa comparação inevitável, dentro de um regulamento que trata a numeração como ferramenta organizacional, não como homenagem.