Enviado em

Djokovic Surpreende e Entra na Briga pelo ATP Finals

A corrida pelas últimas vagas do ATP Finals, que acontece em Turim no fim do ano, ganhou um nome inesperado: Novak Djokovic. O sérvio, que nos últimos anos vinha tratando a reta final da temporada com certo desdém, agora admite publicamente que quer disputar o torneio dos oito melhores do mundo - algo que não faz desde que conquistou o título em 2023.

Uma mudança de postura rara

Para colocar isso em prática, Djokovic vai disputar o Swiss Indoors, em Basileia, pela primeira vez desde 2010, além do Masters 1000 de Paris, ambos antes da decisão em Turim. O ex-número 1 do mundo ocupa atualmente a 11ª posição na corrida pelo ATP Finals, e apenas os oito primeiros garantem vaga no torneio. É uma situação incomum para alguém com o currículo de Djokovic, que historicamente nunca precisou se preocupar em "correr atrás" de pontos no fim de temporada.

Repercussão no circuito

A novidade não passou despercebida entre ex-tenistas. Sam Querrey, hoje comentarista do podcast Nothing Major ao lado de John Isner, destacou o ineditismo da situação. "Essa é a primeira vez que o Novak precisa correr atrás de pontos. Acho que isso nunca tinha acontecido, literalmente nunca. Ele nunca esteve numa posição de ter que jogar um torneio extra para se classificar. Nunca aconteceu. Então é meio que um território novo para ele", afirmou.

Isner, por sua vez, elogiou a mentalidade do sérvio e o respeito que ele ainda demonstra pelo circuito, mesmo após conquistas que já garantiriam seu lugar na história do esporte. "Isso mostra a mentalidade dele. Ninguém ficaria surpreso, todo mundo entenderia se ele simplesmente encerrasse a temporada agora. Mas não, ele está com fome, mais faminto do que nunca", disse. "Eu pensei que seria o contrário depois do US Open, que ele ia desacelerar para preparar o Australian Open. Mas não, olha o que ele está fazendo. É impressionante."

Como está a disputa pelas vagas

Das oito vagas do ATP Finals, três já estão praticamente seladas: Carlos Alcaraz, Alexander Zverev e Ben Shelton confirmaram presença em Turim. A decisão de Jannik Sinner de encerrar a temporada mais cedo abriu espaço na briga pelas vagas restantes, com nomes como Flavio Cobolli, Daniil Medvedev e Frances Tiafoe bem posicionados para figurar entre os classificados.

Djokovic, por sua vez, deve travar uma disputa direta com tenistas como Alex de Minaur, Rafael Jodar e Arthur Fils pelas duas últimas vagas, numa briga que promete se estender até as últimas rodadas da temporada. Atualmente, o sérvio está 485 pontos atrás do oitavo colocado, uma diferença que exigirá campanhas consistentes tanto em Basileia quanto em Paris.

Histórico a seu favor

Se depender do retrospecto, Djokovic tem motivos para acreditar. Ele conquistou o Swiss Indoors uma vez, em 2009, e é o maior campeão da história do Masters de Paris, com sete títulos - recorde do torneio. Resta saber se, aos 38 anos, o sérvio ainda tem gás para repetir boas campanhas em sequência e garantir presença em Turim, numa temporada que já surpreendeu pela disposição incomum de voltar a competir por pontos no fim do calendário.