Outubro reserva uma programação intensa para as salas de Paris e da Île-de-France, com estreias que vão de thrillers hollywoodianos a comédias francesas, passando por animações familiares e relançamentos restaurados. O mês começa, na prática, já em 30 de setembro, data que antecede e organiza o calendário de outubro, e se estende em quatro grandes blocos semanais até o dia 21.
A virada de setembro para outubro
O ciclo abre com força nos Estados Unidos: Verity, adaptação do thriller de Colleen Hoover estrelada por Anne Hathaway, Dakota Johnson e Josh Hartnett, lidera a bilheteria norte-americana com cerca de 32,6 milhões de dólares, enquanto Digger, comédia negra de Alejandro González Iñárritu com Tom Cruise no papel de um homem onipotente envolvido em uma catástrofe global, abre com 8 milhões. Na França, o destaque autoral é Notre Salut, de Emmanuel Marre, vencedor do Prêmio de Roteiro em Cannes 2026, com Swann Arlaud. Também chegam às salas Kraken, terror francês de Mohamed Chabane e Théo Jourdain Rhodes, e Memória de filha, adaptação de Judith Godrèche para a obra de Annie Ernaux, com Tess Barthélemy e Valérie Dréville. Completam a data o relançamento restaurado de Aprile, de Nanni Moretti, e o retorno de Carros, da Pixar, a quase 300 cinemas franceses pelos 20 anos do filme.
7 de outubro: animação, comédia e drama social
A primeira semana cheia de outubro combina registros bem distintos. Ton animal maternel, de Valentina Maurel, acompanha o retorno de uma jovem ao Costa Rica e chega precedido de reconhecimento em Cannes para Daniela Marín Navarro, Marina de Tavira e Mariangel Villegas. Para o público infantil, estreiam Doraemon e o Castelo Submarino, indicado a partir de 8 anos, e Joyeuse Jungle!, sobre a busca de Elizabeth pelo irmão mais novo na selva tropical. No campo da comédia francesa, destacam-se Ducobu e o Fantasma de Saint-Potache, dirigido por Élie Semoun, La Maison de nos rêves, com Kev Adams e Camille Aguilar ao lado de Chantal Ladesou, e Ni vue, ni connue, com Isabelle Huppert e Sandrine Kiberlain. Fausse Note, huis clos histórico de Alexandre Arcady estrelado por Kad Merad e Benoît Poelvoorde, também entra em cartaz. Já Aaron Sorkin assina The Social Reckoning, drama sobre os Facebook Files com Mikey Madison, Jeremy Allen White e Jeremy Strong.
14 de outubro: peso autoral e grandes produções
A terceira semana concentra alguns dos títulos mais aguardados do mês. Les Misérables, de Fred Cavayé, com Camille Cottin e Benjamin Lavernhe, chega com boa recepção crítica: quase três horas de duração que, segundo a crítica especializada, passam com fluidez graças a uma narrativa que ainda surpreende. Minotauro, de Andrei Zvyagintsev, vencedor do Grand Prix em Cannes, representará a França na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Internacional. No campo da animação, Le Corset, de Louis Clichy, apresentado em Un Certain Regard, narra uma infância na Beauce, enquanto Mochy, o cão mais feio do mundo, de Jérémie Degruson e Yanis Belaïd, trata de diferença e autoaceitação. O suspense fica por conta de Englouti, de Brian Duffield, com Austin Abrams, Josh Brolin e Elisabeth Shue, e do terror Malfaisante, de Rob Savage, com Jessica Chastain em dois papéis. A data também marca a divulgação das vozes francesas de Street Fighter, com Benoît Saint-Denis, Cédric Doumbè e Paul Dena dublando Zangief, Balrog e Joe.
21 de outubro: terror, comédia e um clássico restaurado
O mês se encerra com Clayface, produção de terror da DC dirigida por James Watkins e estrelada por Tom Rhys Harries, que já teve seu último trailer divulgado. Na comédia, Éric Judor se infiltra em um jogo de role-playing ao vivo para reencontrar a filha em O Rei do Game, ao lado de Alexandra Lamy. Para os cinéfilos, a grande novidade é a estreia inédita nas telas francesas de Peking Opera Blues, clássico de Tsui Hark com Brigitte Lin, Cherie Chung e Sally Yeh, agora em versão restaurada em 4K.
Entre blockbusters americanos, comédias populares francesas, animações para toda a família e redescobertas do cinema asiático, outubro de 2026 confirma Paris e a Île-de-France como um dos polos mais diversos da exibição cinematográfica europeia.